Barriguda – Comunidade Quilombola

Desde 2015 o Instituto Santos Dumont desenvolve o Projeto Barriguda na maior Comunidade Quilombola do Rio Grande do Norte por meio do Centro de Educação e Pesquisa em Saúde Anita Garibaldi (CEPS). Trata-se da comunidade Capoeira dos Negros ou Capoeiras, como é mais conhecida, localizada no município de Macaíba, e que tem aproximadamente 300 famílias com acesso limitado aos cuidados adequados à saúde, ainda não contemplada por equipe da Estratégia Saúde da Família e especialmente vulnerável aos determinantes sociais do processo saúde-doença.

Em uma ação concreta de exercício da responsabilidade social, o ISD implantou nessa comunidade, estratégia interprofissional de cuidado na atenção pré-natal que busca atender às necessidades identificadas para essa população específica, respeitando os valores, conhecimentos, saberes e cultura local. Os atendimentos são realizados semanalmente na própria comunidade e precedidos por atividades de educação interprofissional em saúde que empregam tecnologias leves e valorizam o resgate histórico e cultural quilombola. 

Defesa de dissertação do Mestrado em Ensino da Saúde na Associação dos Moradores de Capoeiras – Maio 2018
Atendimento de gestante em Capoeiras pela equipe multiprofissional do CEPS e aluna de graduação da UFRN

Barriguda

 

O projeto Barriguda faz referência à forma como a Comunidade de Capoeiras se refere ao Baobá, árvore de origem africana reverenciada pela cultura quilombola, que representa a localização dos antigos quilombos na região.

O Barriguda integra ações de educação, pesquisa e extensão, incluindo a participação de estudantes de graduação de diversos cursos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Além disso, é objeto de dissertação do Mestrado Profissional em Ensino na Saúde, da mesma Universidade. O ano de 2016 marcou a consolidação do Projeto Barriguda e a superação do desafio da formação de vínculo com a comunidade quilombola, com desdobramentos e potencialidades crescentes.

 

Competência Cultural na Atenção à Saúde da Mulher Quilombola

 

A educação das relações étnico-raciais e a História da cultura afro-brasileira estão previstas nas Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Medicina e são vistas como temas transversais. Em 2016, de forma inovadora e pioneira, o Projeto Barriguda assumiu o formato de disciplina optativa, com carga horária de 60 horas/aula, oferecida pelo Departamento de Tocoginecologia da UFRN a diversos cursos de graduação, sob o título “Competência Cultural na Atenção à Saúde da Mulher Quilombola”.

O ISD parte da premissa de que, para vencer o desafio de formar profissionais da saúde hábeis em interagir eficazmente com populações étnica e culturalmente diversas, é preciso inserir nos currículos das diversas profissões, especialmente as da saúde, o conhecimento dos processos que influenciam a saúde e os cuidados das minorias populacionais, assim como vivências relacionadas à diversidade cultural.

A possibilidade de o estudante conhecer a situação de saúde de uma população quilombola, num contexto ampliado, apresenta-se como estratégia válida para potencializar a desconstrução do racismo institucional, cultural e individual ainda presentes na sociedade brasileira. Esse racismo é capaz de perpetuar a marginalização das comunidades afrodescendentes e a relativa invisibilidade de suas contribuições e necessidades.

Premiação na 2ª Conferência Nacional de Saúde das Mulheres, em Brasília (DF) – Agosto de 2017
Intervenção da disciplina Competência Cutural na Atenção à Saúde da Mulher Quilombola em Capoeiras

2018Incorporando a Competência Cultural para Atenção à Saúde Materna em População Quilombola na Educação das Profissões da Saúde (Revista Brasileira de Educação Médica – vol.42 nº.2 Brasília abr./jun. 2018)