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Novembro laranja: especialistas alertam para conscientização e tratamento do zumbido

10/11/202110:03

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Você já imaginou a sensação de ouvir sempre o mesmo barulho ou ruído repetidas vezes? Ondas do mar, um chiado, uma sirene e até o som do apito de uma panela de pressão no fogo: é assim que pacientes que sofrem com zumbido descrevem a  percepção de um som, que não é gerado por uma fonte sonora externa, nos ouvidos ou na cabeça. Para alertar a população sobre o assunto, o mês de Novembro também é tido como Novembro Laranja, marcado pelo Dia Nacional de Conscientização sobre o Zumbido, em 11 de novembro. 

 

Cerca de 20% da população mundial têm algum grau de deficiência auditiva ou sofre com esse zumbido. De acordo com o Conselho Federal de Fonoaudiologia, no Brasil, aproximadamente 28 milhões de pessoas são afetadas pelo problema, que não chega a ser considerado doença, mas um sinal de alerta para a deficiência auditiva. 

 

A preceptora multiprofissional fonoaudióloga Rogéria Dias, que atende na clínica de Reabilitação Auditiva do Centro de Educação e Pesquisa em Saúde Anita Garibaldi, do Instituto Santos Dumont (ISD), explica que as causas podem estar relacionadas às mais diversas naturezas. “O zumbido pode surgir de problemas vasculares, alterações cardíacas e hormonais, problemas metabólicos, alterações musculares na região da cabeça e pescoço, além de deformações odontológicas. Problemas na mandíbula, lesões sensoriais podem também estar associadas a esse desconforto. Além disso, há estudos que mostram que o zumbido está presente em 80% dos casos de perda auditiva”, disse.  

 

No Anita, entre as intervenções na reabilitação auditiva estão o tratamento através de aparelhos auditivos, abordagem multiprofissional com psicólogos, fisioterapeutas e assistentes sociais e o grupo terapêutico do zumbido, que reúne seis pacientes, preceptores e residentes do ISD e é o primeiro grupo terapêutico do Rio Grande do Norte voltado para esta temática, segundo Rogéria. 

 

Maria da Conceição Nóbrega, uma das pacientes acompanhadas no Anita que participa do grupo do zumbido, conta que sofreu bastante com o desconforto até aprender a lidar melhor com ele. “Eu sentia que estava infartando, faltava o ar, o zumbido aumentava, eu cheguei a procurar um hospital achando que era um infarto, não conseguia dormir com o barulho me incomodando. Quando eu comecei a ser acompanhada no Anita, eu vi que outras pessoas sofriam com isso e foi quando eu comecei a me adaptar, meu sono melhorou, aprendi até a respirar direito, porque não sabia respirar quando estava nervosa”, conta. 

 

Além do zumbido, Conceição possui perda auditiva profunda em um dos ouvidos e faz uso de aparelho auditivo há pouco mais de um mês. “O aparelho auditivo é uma das intervenções que ajudam muito quem possui perda auditiva com zumbido, pois ele ajuda a amplificar os sons que ouvimos normalmente, as pessoas falando, o som ambiente, um barulhinho de ventilador, e o zumbido deixa de ser a única coisa que aquela pessoa sente que ouve o tempo inteiro”, explica Rogéria Dias.

 

Zumbido e a pandemia 

Um aumento significativo nos casos de hipersensibilidades auditivas é apontado pela Profa. Dra. Tanit Ganz Sanchez, especialista reconhecida mundialmente como autoridade em pesquisas e tratamentos do zumbido e idealizadora do Novembro Laranja.

 

A otorrinolaringologista destaca, segundo percepções do atendimento clínico, que  a marcação de consultas médicas sobre zumbido e hipersensibilidades auditivas teve um aumento expressivo.  “Cerca de 60% dos pacientes atendidos declaram que os sintomas começaram ou pioraram em 2020, seja pelo isolamento social imposto no início do ano ou pela própria Covid-19. Apenas 40% dos pacientes atuais dizem que já tinham sintomas antes da pandemia e não perceberam diferença neles”, disse a otorrinolaringologista PhD pela Universidade de São Paulo (USP).

 

Tanit é especialista e pesquisadora no que chama de “quadrilha do ouvido”, que compreende o zumbido, a hiperacusia ou seja, o incômodo com o volume dos sons e a misofonia, que é o incômodo com sons baixos e repetitivos, como o clicar de uma caneta ou mesmo sons comuns como o respirar e mastigar. “Zumbido, misofonia e hiperacusia são sintomas de ouvidos mais frágeis, que precisam de mais cuidados com as agressões diárias, além da investigação criteriosa de suas causas de forma precoce”, explicou. 

 

Tratamento 

Existem várias formas de tratamento para o zumbido, recomendadas de acordo com as causas identificadas em cada caso. “Quando o paciente chega até nós, a gente tenta identificar qual a faixa de frequência desse zumbido, qual a intensidade, através da audiometria e de avaliações quantitativas, entender se o impacto é emocional ou funcional, por exemplo. Identificada a causa do zumbido, direcionamos para uma terapia específica para cada tipo de caso”, disse a fonoaudióloga Rogéria Dias. 

 

Segundo a especialista, o correto é fazer acompanhamento junto a um profissional fonoaudiólogo e um médico otorrinolaringologista que poderá indicar a melhor forma de tratamento, tais como mudanças alimentares, medicamentos, terapias sonoras e adaptação de aparelhos auditivos. 

Texto: Kamila Tuênia / Ascom – ISD

Foto: Ricardo Araújo / Ascom – ISD

Assessoria de Comunicação
comunicacao@isd.org.br
(84) 99416-1880

Instituto Santos Dumont (ISD)

É uma Organização Social vinculada ao Ministério da Educação (MEC) e engloba o Instituto Internacional de Neurociências Edmond e Lily Safra e o Centro de Educação e Pesquisa em Saúde Anita Garibaldi, ambos em Macaíba. A missão do ISD é promover educação para a vida, formando cidadãos por meio de ações integradas de ensino, pesquisa e extensão, além de contribuir para a transformação mais justa e humana da realidade social brasileira.


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