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CEPs realiza atividades de conscientização sobre violência sexual contra crianças e adolescentes

19/05/201714:22

O dia 18 de maio foi instituído como o “Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes”. Essa data foi escolhida em alusão ao caso de uma menina de 8 anos que, em 1973, foi sequestrada, violentada e brutalmente assassinada por jovens de classe média alta. Mais de 40 anos se passaram e, infelizmente, situações como essa ainda ocorrem com frequência nos dias atuais.

O Centro de Educação e Pesquisa em Saúde Anita Garibaldi (CEPS) escolheu a semana do dia 18 para desenvolver atividades de conscientização e combate à violência sexual contra crianças e adolescentes. Vídeos educativos e jogos foram trabalhados junto a gestantes, mães, pais e filhos atendidos pelo serviço, em Macaíba-RN. As ações foram realizadas no hall do prédio principal do Centro e integram uma ampla campanha promovida pela prefeitura do município.

Este tema é de grande relevância ao CEPS, dentro do seu escopo de cuidado à saúde materno-infantil.

Jogo educativo sobre violência sexual contra crianças.

CEPS promove jogo educativo sobre violência sexual contra crianças.

Desde junho de 2016, o Centro opera, em parceria com a Secretaria da Saúde Pública do Estado do Rio Grande do Norte o Serviço de Referência para Atenção a Crianças, Adolescentes e Mulheres Vítimas de Violência Sexual. Esse serviço foi criado para garantir atenção integral às vítimas de violência sexual, auxiliando na assistência e nos devidos encaminhamentos dentro da rede de atores envolvidos. Também se promove educação permanente na área de prevenção e assistência a mulheres que sofrem violência sexual, destinado a profissionais que compõem a rede de atenção à saúde, educação, assistência social e segurança pública no município de Macaíba.

O Serviço de Referência do CEPS acolhe e dá segmento às demandas necessárias de todos os casos de violência que chegam em dias úteis, entre às 8h e 17h. À noite e nos finais de semana, o atendimento é feito pela Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Aluísio Alves, que posteriormente encaminha o caso ao CEPS.

Macaíba possui um dos maiores índices de violência sexual e doméstica contra mulheres do estado do RN, muitos desses casos envolvem crianças. Apesar do número de registros ser inferior ao de ocorrências, o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) do município mostrou um aumento de 170% nas notificações feitas no ano de 2016, comparadas às de 2015. Dessas, 66% foram com garotas menores de dez anos de idade.

Características e consequências da violência sexual

A psicóloga do CEPS e coordenadora do Serviço de Referência para Atenção a Crianças, Adolescentes e Mulheres Vítimas de Violência Sexual, Carla Glenda Souza da Silva, explica que a violência sexual pode incluir toques, carícias, sexo oral ou relações com penetração (digital, genital ou anal). Contudo, “o abuso sexual também inclui situações nas quais não há contato físico, como voyeurismo, assédio, exposição a imagem ou eventos sexuais, pornografia e exibicionismo”, explica Carla. Na maioria das situações, o abuso é realizado por pessoas próximas da criança ou do adolescente, que desempenham um papel de cuidador ou de responsável por estes.

As consequências da experiência de um abuso sexual podem afetar o desenvolvimento cognitivo, afetivo e social da vítima de diferentes formas e intensidade. São frequentes relatos de transtornos de ansiedade, alimentares e dissociativos, depressão, hiperatividade, déficit de atenção e estresse pós-traumático. Este último prevalece em cerca de 50% das vítimas.

Possíveis alterações ocasionadas por um abuso sexual:

  • Comportamentais: conduta hipersexualizada, abuso de substâncias, fugas do lar, furtos, isolamento social, agressividade, mudanças nos padrões de sono e alimentação, comportamentos autodestrutivos (se machucar e tentar suicídio);
  • Cognitivas: baixa concentração e atenção, dissociação, refúgio na fantasia, baixo rendimento escolar e crenças distorcidas, tais como percepção de que é culpada pelo abuso, diferença em relação aos pares, desconfiança e percepção de inferioridade e inadequação;
  • Emocionais: medo, vergonha, culpa, ansiedade, tristeza, raiva e irritação.

Se você souber ou tiver contato com algum caso de violência sexual com mulheres, crianças ou adolescentes, quebre o silêncio e denuncie, disque 100.

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EDUCAÇÃO EM SAÚDE

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