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Sessão de cinema ajuda na socialização de crianças com autismo

13/04/201713:52

Sessão de cinema ajuda na socialização de crianças com autismo

13/04/2017

Texto e fotos: Ariane Mondo – Ascom ISD

2017 abril 08 cinema autistas 2 Foto Ariane Mondo - Ascom ISD (29)_editada

Antônio e o filho Anthony após a sessão

No dia 08 de abril, em um shopping center de Natal (RN), o escurinho do cinema deu lugar a um ambiente mais claro e o som não ficou tão alto, em uma sessão adaptada especialmente para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), que assistiram ao filme Trolls. O projeto de sessões de cinema para crianças autistas, organizado pelo “Grupo Mães Corujas Batalhadoras” desde 2016, é um sucesso e pela segunda vez o Instituto Santos Dumont (ISD) apoia a iniciativa, por meio de uma campanha interna entre seus funcionários. Com a mobilização dos colaboradores foi possível adquirir ingressos e levar ao cinema 50 pessoas, entre crianças  e responsáveis, que são usuários do Serviço Multidisciplinar de Atenção ao Espectro Autista (SEMEA), do Centro de Educação e Pesquisa em Saúde Anita Garibaldi (CEPS), em Macaíba (RN).

Anthony Ferreira, de 05 anos, acompanhado no CEPS há cerca de um ano e meio, foi ao cinema pela primeira vez na vida e segundo seu pai, Antônio Ferreira, o garoto aprovou a experiência: “Foi muito bom! Ele assistiu metade do filme e na outra metade ficou querendo bagunçar”.

2017 abril 08 cinema autistas 2 Foto Ariane Mondo - Ascom ISD (8)_editada

Murilo teve dificuldades no início do evento, mas após um tempo ele conseguiu entrar no cinema pela primeira vez.

Gabriela Vasconcelos Alves, mãe de Murilo, 07 anos, também levou o filho para o cinema pela primeira vez e a adesão à atividade não foi imediata. Depois de algum tempo de espera e com paciência, o garoto foi conduzido à sala de exibições e se divertiu com a nova experiência. A mãe relatou: “Por mim, essas sessões seriam mensais, porque é uma forma de fazer a inserção dele na sociedade e de mostrar como é o mundo para essa criança, que um dia vai crescer”.

Samantha Maranhão, preceptora multiprofissional e neuropsicóloga do SEMEA/CEPS, afirma que esse evento é muito bom, porque é uma oportunidade para as crianças terem contato umas com as outras e de vivenciarem um espaço diferente, porque muitas pessoas de Macaíba não têm acesso ao cinema. “O próprio trajeto para chegar até Natal amplia os horizontes dessas crianças e faz com que elas tenham vivências diferentes para além do contexto em que estão inseridas”, afirma ela.

A neuropsicóloga vê vários benefícios nesse tipo de atividade, como socialização, ampliação das vivências em contextos diferentes e troca de experiências entre os pais. Ela comenta: “A maioria das crianças atendidas em Macaíba já estava aqui pela segunda vez e os responsáveis comentaram que as crianças gostaram mais do segundo filme assistido. Eu penso que pode ser uma adaptação ao lugar, à situação, pois eles ficaram mais tempo assistindo ao filme, vivendo essa experiência. Para eles é importante a repetição de uma vivência que eles não têm sempre”.

SEMEA

Samantha Maranhão com uma das pacientes atendidas no SEMEA.

Samantha Maranhão com uma das pacientes atendidas no SEMEA.

O SEMEA foi criado pelo CEPS em 2015 e oferece atendimento realizado por profissionais de várias áreas da saúde. Atualmente o SEMEA recebe uma média de 80 crianças de Macaíba e municípios vizinhos e desde 2017 oferece por meio do SUS, em parceria com a Escola Agrícola de Jundiaí (EAJ/UFRN), a Equoterapia Potiguar, projeto que utiliza a terapia com cavalos como possibilidade complementar de acompanhamento às crianças atendidas no CEPS (mais informações na matéria disponível AQUI).

A nomenclatura Transtorno do Espectro Autista (TEA) foi dada, porque hoje se sabe que o autismo tem níveis de intensidade diferentes. O mesmo sintoma pode ocorrer de uma forma grave, leve ou moderada, dependendo da idade da criança, do quanto ela recebe estimulação e a intervenção adequada. Segundo a literatura médica, o TEA é ‘um grupo de transtornos caracterizados por um espectro compartilhado de prejuízos qualitativos na comunicação e interação social, associados a comportamentos repetitivos e interesses restritos’.

A ida dos pacientes do SEMEA até o cinema foi realizada graças ao apoio da empresa Natal Vans.

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