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Simpósio do IIN-ELS aponta caminhos para a neuroengenharia no Brasil

29/11/201615:31

Simpósio do IIN-ELS aponta caminhos para a neuroengenharia no Brasil

29/11/2016

Texto e fotos: Luiz Paulo Juttel – Ascom ISD

 

O Instituto Internacional de Neurociências Edmond e Lily Safra (IIN-ELS) promoveu nos dias 24 e 25 de novembro o III Simpósio de Neuroengenharia. O evento foi realizado no Auditório da Escola Agrícola de Jundiaí (EAJ – UFRN), em Macaíba-RN, e contou com palestras, discussões e sessões práticas. A neuroengenharia é um campo estratégico e interdisciplinar que associa recursos das neurociências e da engenharia. Suas aplicações abrangem tópicos como desenvolvimento de próteses, interfaces cérebro-máquina e aperfeiçoamento de tecnologias de neuromodulação, com potencial terapêutico para doenças neurológicas.

O primeiro dia do evento tratou sobre temáticas fundamentais a profissionais que desejam se especializar em neuroengenharia. A começar pelo Coordenador de Pesquisa do IIN-ELS, Edgard Morya, que abordou a neuroengenharia no contexto de tecnologias assistivas e de reabilitação. Ele apresentouiniciativas estratégicas dos EUA e Europa em neurociências e tecnologias assistivas com alto impacto social e econômico.. Isso reforça a importância do investimento em pesquisa de ponta na área de neurociências e neuroengenharia.

Morya também mostrou à plateia as principais pesquisas científicas desenvolvidas nos últimos anos e as inúmeras possibilidades para novos estudos científicos,formação do profissional do futuro e aplicações clínicas que podem ser desenvolvidas no curso de neuroengenharia.

 

Cidades cada vez mais conectadas

Outro palestrante do evento foi Augusto Venâncio, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Ele tratou sobre cidades inteligentes e internet das coisas (IoT). Venâncio mostrou, por exemplo, que em 2010 tínhamos 12,5 bilhões de aparelhos conectados à internet, contra 6,8 bilhões de pessoas no Planeta. Pesquisas otimistas apontam que teremos cerca de 200 bilhões de aparelhos conectados em 2020. “Até pouco tempo atrás, um aparelho tinha um nome e uma única função; hoje em dia ele faz várias coisas, indica o que você deve fazer ou fornece informações sobre a sua saúde”, explica Venâncio.

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Augusto Venâncio, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), falou sobre cidades inteligentes e internet das coisas (IoT).

Augusto Venâncio trouxe ao Simpósio o professor Álvaro de Oliveira, coordenador das ações que integram Natal ao projeto Cidades Inteligentes e Humanas. Ambos comentaram que essa iniciativa engloba, entre outras coisas, o desenvolvimento de aplicações e protótipos para dar apoio a cidadãos e entidades em áreas estratégicas, tais como segurança pública, turismo, transporte público e privado, educação, prédios inteligentes, poluição, serviços essenciais (água, energia, gás), etc. Mais informações podem ser acessadas em: http://smartmetropolis.imd.ufrn.br/

 

Novos tratamentos para a doença de Parkinson e a depressão

No segundo dia de evento, as palestras trataram sobre estudos e tratamentos contra Parkinson e depressão, além da relação entre o exercício físico e a evolução do cérebro humano. O neurocirurgião funcional Neuton Magalhães, do Centro Universitário Maurício de Nassau (Uninassau), explorou a neuromodulação para a compreensão e o alivio dos sintomas da doença de Parkinson. Essa doença, atualmente sem cura, acomete mais de 10 milhões de pessoas no mundo (cerca de 2% da população mundial).

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Palestra de Neuton Magalhães, do Centro Universitário Maurício de Nassau (Uninassau), explorou a neuromodulação para tratamentos da doença de Parkinson.

Magalhães mostrou os benefícios do implante de um estimulador cerebral profundo  para estabilizar tremores, movimentos involuntários e outros sintomas de Parkinson em pacientes que não respondem bem à medicação (Levodopa). Uma pesquisa com algumas dezenas de pacientes apontou que 83% deles reduziram a medicação após o implante, enquanto os demais a estabilizaram. O pesquisador também apresentou um vídeo de um paciente de 37 anos que sofria de Parkinson juvenil há 13 anos e tomava elevadas doses de medicação. Após o implante, ele recuperou os movimentos finos e chegou a correr na ala do hospital. Variações desse tratamento estão sendo testadas em outras doenças como dores crônicas, depressão e transtorno obsessivo compulsivo.

Já no caso da depressão, Elaine Gavioli, docente da UFRN, falou sobre pesquisas com novos fármacos que prometem uma resposta mais rápida e com menos efeitos colaterais que os antidepressivos atuais. Muitos dos medicamentos utilizados hoje em dia levam semanas para apresentar uma resposta terapêutica positiva, além de, possivelmente, causarem mal-estar gástrico, impotência sexual, perda de libido, aumento de ansiedade, alterações cardiovasculares, entre outros efeitos colaterais. Soma-se a isso, o fato de que 10 a 20% dos pacientes não respondem a nenhum antidepressivo atualmente no mercado.

 

O cérebro e o exercício físico

Outra apresentação de destaque foi a de Eduardo Fontes, também docente da UFRN. Ele mostrou que, conforme o ser humano passou a se movimentar mais, seus membros e seu cérebro ficaram maiores. Esse processo permitiu que a nossa espécie ganhasse um desempenho motor excepcional.

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Discussões da mesa-redonda “Neuromodulação: Técnicas e Perspectivas”.

O pesquisador também comentou sobre trabalhos desenvolvidos pelo seu grupo, que investigam mudanças fisiológicas no cérebro durante a realização de exercícios físicos. Eles descobriram que a prática de um exercício extenuante leva à desativação do córtex pré-frontal, área responsável pelo controle cognitivo. Depressão, ansiedade e estresse levam a uma hiperatividade do córtex pré-frontal. Diminuir a atividade nessa região possivelmente ajuda a tolerar sensações negativas. Além disso, o exercício físico melhora funções cognitivas como a memória e o desempenho acadêmico.

Profissionais de diversos estados do Brasil vieram a Macaíba para participar do III Simpósio de Neuroengenharia. Este é o caso de Eddy Krueger, professor da Universidade Estadual de Londrina, no Paraná, que trabalha com a linha de pesquisa de Engenharia Neural e de Reabilitação. Ele ficou impressionado com a estrutura e os conteúdos oferecidos. “O que mais me surpreendeu foi a forma didática com que se trabalharam assuntos complexos. Os palestrantes trouxeram informações acessíveis não apenas aos pesquisadores, mas também aos alunos de graduação e de pós-graduação”, comentou Krueger. Além das palestras e mesas-redondas, foram realizados uma sessão de pôsteres e três minicursos sobre desenvolvimento de órteses e próteses, microscopia confocal e eletroencefalografia da interface cérebro-máquina.

O Simpósio em Neuroengenharia é realizado anualmente pelo IIN-ELS, desde 2014. 0 Instituto está localizado em Macaíba-RN e oferece o único curso de Mestrado em Neuroengenharia do Brasil, certificado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). O processo seletivo do mestrado do IIN-ELS está aberto e recebe inscrições até o dia 11 de janeiro de 2017. Mais informações em: http://www.institutosantosdumont.org.br/instituto-internacional-neurociencias/.

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