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Neurociência, exercício físico e cognição

20/05/201619:46

20/05/2016

Por Luiz Paulo Juttel – Ascom ISD.

Pesquisadores do Instituto de Ensino e Pesquisa Alberto Santos Dumont (ISD) foram convidados pelos professores Alexandre Okano e Eduardo Bodnariuc Fontes, do Departamento de Educação Física da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), para promover, no último mês de abril, o “I Simpósio Internacional em Neurociência, Exercício e Cognição”. O evento abordou temas e resultados de pesquisa na fronteira do conhecimento dessas áreas e contou com palestrantes da Universidade de Illinois-Urbana Champaign, nos Estados Unidos.

Cinco palestras integraram o Simpósio, sendo a primeira delas uma apresentação sobre o sistema de neuronavegação desenvolvido pelo físico da UFRN, André Salles Cunha Peres. O software concebido por Peres realiza uma varredura no cérebro do paciente que irá receber sessões de neuroestimulação, marcando e registrado a localização exata em 3D da estimulação, que poderá ser utilizada novamente em sessões futuras. Este sistema será distribuído gratuitamente e competirá com concorrentes internacionais vendidos a preços que chegam a U$ 200 mil.

Na sequência, o pesquisador do ISD, Fabrício Lima Brasil, trouxe a cerca de 130 participantes do Simpósio diversos trabalhos realizados pelo Instituto nas áreas de interface cérebro-máquina e neuromodulação. Essas linhas de pesquisa têm ganhado destaque no cenário internacional ao estabelecer comunicação direta entre cérebro humano e dispositivos externos, ou mesmo modular a atividade cerebral. Basicamente, essa interface possui dois propósitos principais. O primeiro deles é assistir pacientes que tiveram lesões no sistema neurológico e perderam, por exemplo, o movimento de membros. O outro propósito é restaurar funcionalidades (como movimentos) de modo acelerado. Tais propósitos estão fortemente conectados à neuroplasticidade, que é a capacidade do cérebro de reorganizar sua extensa rede de conexões entre neurônios, reestruturando funções perdidas decorrentes de lesões.

Brasil mostrou técnicas que iniciam na bancada e terminam em aplicações finais como a fabricação e inserção de eletrodos, com potencial uso no tratamento de pacientes que sofrem de Parkinson, desenvolvimento de prótese para uso na reabilitação de pacientes que sofreram acidentes vasculares cerebrais (AVC) utilizando eletroencefalografia (EEG), soluções para reabilitação de paralisia de membros, entre outras doenças.

Após a palestra do ISD falaram os pesquisadores norte-americanos, a começar por Nate Ward. Ele apresentou os principais resultados do projeto INSIGHT (“An integrative system for enhancing fluid intelligence (Gf) through human cognitive activity, fitness, high-definition transcranial direct-current brain stimulation, and nutritional intervention”). Dezenas de cientistas se reuniram para realizar um estudo inédito que recebeu inicialmente U$ 12,7 milhões para desenvolver métodos e ferramentas fundamentados em evidências capazes de aprimorar a qualidade de raciocínio e julgamento do ser humano em ambientes complexos e reais. Esses protocolos incorporaram o que há de melhor atualmente em cognição, treinamento físico, neurociência, e intervenções nutricionais para ampliar a inteligência fluída (fluid intelligence).

Ward expôs resultados de estudos que mediram a eficiência de produtos comercializados como jogos que “treinam” o cérebro, como o Lumosity. Os estudos testaram a aplicação desses jogos isoladamente ou em conjunto com técnicas de estimulação neuronal. “De forma isolada, a realização desses jogos não mostrou impacto significativo sobre o aprimoramento da cognição. Contudo, quando adicionamos a estimulação neuronal os resultados apresentam uma leve melhora, de acordo com a intensidade da estimulação”, informou Ward.

Por fim, Erika Hussey apresentou estudos sobre controle executivo do cérebro em questões relacionadas a conflitos de linguagem. Na sequência, Alexandre Hideki Okano exibiu resultados de pesquisas que relacionam estimulação neuronal, exercício e nutrição. Sua equipe concluiu, entre inúmeros resultados, que a sensação de fadiga originada pela prática de exercícios pode ser modulada com o uso de estímulos elétricos no cérebro. Tal pesquisa foi citada recentemente em reportagem da revista Nature. Entidades esportivas internacionais começar a analisar os efeitos dessa estimulação, preocupados com o surgimento do que se intitulou “neurodopping”.

O auditório do Departamento de Educação Física da UFRN atingiu sua lotação máxima durante o I Simpósio Internacional em Neurociência, Exercício e Cognição, com ampla participação de alunos do ISD, UFRN e outras universidades. Os palestrantes atenderam a dúvidas do público ao final do evento.

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